Deixar acontecer...

11/04/2012 21:08

 

 

por Teresa Cristina Pascotto - crispascotto@hotmail.com



Para qualquer atitude ou decisão que tenhamos que tomar em nossa vida, aprendemos que temos que saber e entender, racionalmente, todos os passos que devemos tomar, conhecendo todos os nossos motivos para tal fim; criamos estratégias, bolamos formas variadas para fazer acontecer e só então agimos, mas sempre com a falsa sensação de segurança ou com a clara sensação de insegurança.

Isso tudo ocorre devido à extrema necessidade do ego em dominar e controlar todos os eventos de nossa vida. Ele acredita que tudo deve passar pelo seu crivo rigoroso, judicioso, crítico e limitado. Obviamente que toda essa estratégia rigorosa nos faz exaurir nossa energia e criarmos ainda mais possibilidades de fracasso, levando-nos ao sofrimento e ao desequilíbrio, quanto mais tentamos controlar a vida.

Nossas atuais ferramentas para a criação de novas idéias e, conseqüente busca pela sua realização, são obsoletas, são recursos, mecanismos e estratégias que criamos desde a infância e fomos "aprimorando" (piorando) ao longo de nossa vida, lembrando que esses mecanismos foram criados a partir daquilo que contemos em nosso inconsciente, proveniente de nossas vidas passadas, o que influenciou negativamente nossas percepções, distorcendo-as, e levando-nos a criar as ignorantes e perigosas "estratégias de sobrevivência", mas na verdade são estratégias altamente "suicidas", pois nos levam a desenvolver uma vida cheia de dor, desencontros, frustração e sofrimentos; mas que o ego acredita que são estratégias poderosas e eficazes.

Quando somos capazes de tomarmos consciência dessas estratégias inadequadas, compreendendo que foram até "eficazes", dentro das limitações do ego, para nos trazer até o agora, mas que já não nos servem mais, então, somos capazes de despertar ainda mais nossa consciência e nos abrirmos para as Verdades Divinas, que nos levarão a abandonar os velhos modelos e caminhos criados pelo ego.

Para que isso ocorra, precisaremos conhecer quais são esses caminhos que criamos, tão contaminados e cheios de toxinas energéticas, às quais nos viciamos. Ao percebê-los mais conscientemente, poderemos aceitar, mas com a intenção de encontrarmos a saída e solução para a dissolução desses caminhos. Ao mesmo tempo, de forma consciente, deveremos começar a nos afastar um pouco dos velhos modelos, dizendo um forte "não interno" a eles, pois esses modelos estão carregados de toxinas energéticas e elas nos atraem fortemente para a velha "droga". Para nos libertarmos do vício, precisamos nos afastar da "droga". Mesmo que o afastamento não ocorra fisicamente - por exemplo, se esse velho caminho for dentro da interação em um relacionamento, não é preciso romper o relacionamento, mas sim criar um espaço energético, um recolhimento que nos afasta praticamente de tudo, onde viveremos apenas o "suficiente", sem interação intensa, até que possamos encontrar um novo jeito de nos relacionarmos -; neste espaço energético, algo será esvaziado, as toxinas serão liberadas e iremos perdendo um pouco a memória da força que elas exerciam sobre nós, haverá certa purificação acontecendo nesse momento. Isso nos levará a desaprender o velho caminho criado e trilhado por tanto tempo.

Para criarmos novos caminhos em nossa vida, precisamos conhecer os velhos caminhos, para que possamos descontaminar, purificar e desaprender os velhos mapas que criamos. Quando desaprendemos, somos colocados diante do novo, das novas possibilidades, da nova realidade. A situação e as pessoas poderão até serem as mesmas, mas dentro de nós terá ocorrido uma mudança tão profunda, que não saberemos mais como nos relacionarmos com o todo como antigamente.

Diante desse novo momento, teremos a forte sensação de não sabermos quem somos, o que queremos, qual o sentido de nossa vida, qual rumo deveremos tomar, qual o significado de nossas experiências. Se resistirmos, nos sentiremos muito confusos e desorientados, mas isto não é ruim, se houver aceitação, pois precisamos nos desorientar nas velhas rotas, para encontrarmos a reorientação verdadeira que é proveniente da reconexão com o nosso Eu Superior, que é nosso verdadeiro "GPS". Nosso passado, com as pseudo-orientações do ego, serão apenas uma base para recomeçarmos, e não nossa referência. A partir disto, sentiremos a força de nosso coração nos colocando diante da vida como se fôssemos um bebê diante do verdadeiramente novo, sem nenhum recurso para lidar com aquilo que a vida lhe traz. Teremos somente os anseios mais profundos de nossa alma. Então sentiremos a voz, vinda de nosso coração, a nos dizer: não pense em como, simplesmente deseje seguir os anseios da alma, coloque-se na vida, ofereça-se para o Universo e deixe acontecer...

A mente ficará confusa, pois ela se acostumou a pensar sobre o que e como fazer, e a proposta do coração é justamente para não pensar. Deveremos apenas observar essa necessidade da mente, sem lutar contra e sem dar valor, aceitando e manifestando nosso desejo profundo de deixarmos acontecer. Daqui para frente, vários acontecimentos, de forma sincrônica, virão a nós, nos pegaremos simplesmente reagindo às situações, de forma natural e espontânea. Isso nos trará desconforto, pois essa naturalidade fará com que tenhamos reações e expressões muito diferentes das de antigamente. Nos expressaremos sem conseguirmos compreender racionalmente o que está ocorrendo, e deveremos aceitar e deixar fluir. Se tentarmos resistir, para saber e controlar o que ocorre, o fluxo se interromperá. Se isso ocorrer, bastará aceitarmos, com o desejo de retomarmos o fluxo. E assim, logo nos abriremos novamente, permitindo que nossa vida flua a partir de nosso coração.

Neste fluir, outras novas situações, pessoas e condições ocorrerão, trazendo-nos novas possibilidades de criarmos novos e verdadeiros caminhos. Quanto mais criamos o novo, mais prazer positivo sentiremos, ativando diretamente a zona de prazer no nosso cérebro, fazendo com que os hormônios relacionados ao prazer sejam liberados, reforçando assim, nossas novas conexões neurais, mais adequadas e saudáveis do que as velhas, nos ajudando a nos firmarmos nos novos caminhos, com novas atitudes e reações, para as novas experiências de vida. Será um verdadeiro aprendizado do novo.

Enfim, para mudarmos verdadeiramente nossa vida, precisamos fazer a jornada interior, somente nesse caminho conheceremos nossos círculos viciosos para somente então podermos, aos poucos, começarmos a abandonar o velho, desaprendendo-o, para criamos o novo, num lindo e profundo aprendizado. Para isso, o velho controle deverá ser conscientemente abandonado para aprendermos a deixar fluir e acontecer...