Karma com o Amor

06/12/2011 20:15

 

Karma com o Amor

por Maria Silvia Orlovas - morlovas@terra.com.br



Acho impressionante a quantidade de gente que sofre por amor, por não ter um amor, por não saber manter um relacionamento, por se apaixonar pela pessoa errada, por se doar demais, por se decepcionar.

Todas as semanas, recebo gente sofrendo, querendo melhorar, mas sofrendo de verdade, gente que já perdeu muito do brilho nos olhos, da vontade de viver. Gente que se sente abandonada, triste e decepcionada e que imagina que o karma está associado ao amor, e de fato está. Porque a energia kármica é alimentada por nossas ações, por nossos medos, por tudo aquilo mal resolvido que trazemos conosco. Aliás, sempre explico que reencarnamos justamente para arrumar, resolver aquilo que está em desarmonia em nossa vida. Aquilo que funciona simplesmente carregamos como um bônus, uma força a mais que nem percebemos, mas aquilo que nos faz sofrer geralmente é um grande peso, uma verdadeira doença.

Liz, uma moça de 32 anos, vivendo sozinha depois de um segundo casamento, procurou-me justamente para ajudar a resolver a questão afetiva. Karma no Amor - ela se diagnosticou. De fato, vinda de dois casamentos fracassados, sofria por amor. Muito prática, queria resolver as questões emocionais porque se sentia sobrecarregada com isso.

Na sessão de vidas passadas, veio uma energia muito densa, uma vida de prisioneira de um marido autoritário nos tempos antigos, em que as mulheres cuidavam da casa enquanto os homens eram responsáveis pelo sustento. Ela sentia verdadeiro asco do marido, mas naquele tempo, as pessoas ficavam juntas até a morte, que muitas vezes vinha prematuramente, mas quem se importava em morrer com tanto sofrimento, se a morte seria até uma libertação?

Quando ela ouviu tudo isso, percebeu que estava se comportando de forma idêntica. Estava com raiva da vida, do fracasso afetivo e pensava em fugir, em mudar de cidade, de profissão. Tudo para não sofrer. Disse entre lágrimas que não queria ser igual à sua mãe que ficou num casamento com um sujeito agressivo porque não tinha uma profissão e não conseguiria cuidar sozinha dos filhos. Quando ela se acalmou, conseguimos conversar melhor e ela detectou, na sessão seguinte, uma grande mágoa em relação aos pais e o fracasso do casamento deles. Foi com tristeza que ela compreendeu que não perdoara ninguém. Com isso, carregava consigo uma herança maligna. Porque cada um estava seguindo suas escolhas: o pai já estava casado pela segunda vez, a mãe também, ela já era adulta e queria se resolver, mas parecia que o problema era com os homens e não com ressentimento, mágoa, rancor.

Na verdade, ninguém quer admitir que tem raiva, que sofre de rancor pelo que já passou nesta vida, que tem ressentimento do ex-marido ou da família. Parece ser mais fácil jogar tudo isso em vidas passadas, mas o que alguns não percebem é que repetimos, vida após vida, as mesmas atitudes e queremos que o mundo, a vida, Deus nos dê uma resposta diferente. Queremos uma nova vida, mas nem sempre nos dispomos a nos tornar uma outra pessoa, sendo que uma mudança íntima depende de nós e não do mundo à nossa volta.

Podemos ou não tomar conta do nosso destino. Os resultados não comandamos, mas podemos ser responsáveis e felizes com nossas reações. Com certeza, o karma no amor vem de muitas vidas sem amor, mas não podemos jogar a nossa carência em alguém ou esperar que um príncipe venha nos tirar da vida de cinderela. A força de se amar, de perdoar, de olhar a vida com mais tranqüilidade está em nós, em nossas mãos e nas nossas atitudes. E se o karma é seu, cabe a você procurar mudar a energia que tem dentro de você para que aquela coisa ruim não caiba mais.

Tenho certeza que se você for mais amável atrairá com o seu perfume a presença de alguém na sua sintonia, mas não jogue a responsabilidade da sua felicidade no outro. Você é sua luz e seu amor...