NÃO DESISTA DO AMOR!

17/06/2012 17:00

 

 

por Flávio Bastos - flaviolgb@terra.com.br



Nas muitas vidas do ser imortal, tentamos compreender o significado do amor. São inúmeras as experiências amorosas que nos levam da sensação de plenitude ao sentimento de incompletude. 

Envolvidos por uma energia que mistura sentimentos e emoções acumuladas das experiências pregressas, os altos e baixos dessas relações nos impulsionam a uma sequência de novos relacionamentos afetivos. É o ciclo de nossos aprendizados no amor...

Na vida, cada indivíduo busca o seu ideal na realização amorosa. Muitas vezes, convertemos o desespero em esperança, e a conquista da felicidade possível em desarmonia. Numa mistura de colo, gozo e transcendência, buscamos no outro o suprimento de amor que nos falta.

Nesse quadro caótico de afeto, conforme nossas expectativas e necessidades latentes, procuramos a satisfação imediata, apressada, ou a satisfação mediata, paciente, como se o amor fosse um jogo de cartas marcadas.

No vai e vem das experiências afetivas, o amor sempre retorna como uma nova oportunidade de aprendizado na escola da vida. Às vezes, turbulento, devastador. Outras vezes, no rítmo das calmarias, ele oscila conforme as ondas de nosso livre-arbítrio.

Em busca da cara-metade, da alma gêmea, experimentamos desde o desespero do inferno à felicidade do paraíso. Sem, no entanto, encontrarmos um ponto de equilíbrio que nos faça refletir sobre a experiência. Buscamos o gozo de uma forma fugaz e superficial, sem nos aprofundarmos nos ensinamentos que a experiência afetiva proporciona. É o ponto fraco que nos revela o quanto somos dependentes do amor egocêntrico que aprisiona seres inteligentes dotados de imensa capacidade de evolução.

Portanto, o nosso desafio é compreendê-lo na sua profundidade e significado. Fazermos dessa energia, que às vezes torna-se densa, uma energia que renova, transforma, completa e harmoniza.

Do olhar superficial que visualiza o amor-posse, precisamos evoluir para o olhar que enxerga além das necessidades do ego, ou seja, a visão do amor que liberta para a expansão da consciência.

Nessa direção, o primeiro passo dado é perceber o quanto somos dependentes de gratificações -ou mecanismos psíquicos de compensação-, que nos mantém na dependência afetiva como se fossemos eternas crianças à procura de atenção materna ou paterna. 

Dependência e posse é o alimento psíquico-espiritual de processos obsessivos que nos prendem a relacionamentos afetivos que travam o processo evolutivo do espírito. Pelo ciúme que gera o ódio, cometemos atos violentos contra si mesmo e contra o outro. Nos transtornamos em nome do amor que vira um ciclo vicioso de difícil solução. 

Contudo, a cada experiência no corpo físico, a vida nos brinda com uma nova oportunidade de amarmos além de nossas limitações. Aprendizado que exige humildade, percepção de momento e sensibilidade para assimilarmos as sutilezas que envolvem o mais intenso dos sentimentos humanos.

Não desista do amor! Mas do amor livre de preconceitos e sentimentos de dependência e posse. Somos muito mais que seres atrelados a relacionamentos que aprisionam e fazem do amor uma energia densa e deletéria. 

Não desista do amor! Mas do amor que estimula o crescimento, liberta, engrandece e proporciona uma visão que alarga horizontes de vida e esperança. 

Texto revisado