O pai e a prosperidade

04/10/2011 19:52

 

O pai e a prosperidade

por Maria Silvia Orlovas - morlovas@terra.com.br



Na Fraternidade Branca aprendemos que somos energia e que os três primeiros raios representam o pai, a mãe e o espírito santo, e que a chama Trina é a nossa fonte de poder, criatividade e amor. Aprendemos também que quando estamos em harmonia as coisas fluem e o universo nos oferece tudo o que precisamos. Porém, nem sempre estamos em harmonia. Muitas vezes, passamos a vida tentando resolver nossas pendências, enfrentando desafios de toda natureza, enfim percebemos que trazemos um karma e que precisamos nos libertar para caminhar com mais leveza. E onde o karma acontece?

Na família, entre as pessoas mais próximas e nas questões que mais nos importam. E foi justamente nessa busca de resolver pendências familiares que recebi Antonia, engenheira formada há mais de dez anos perambulando no mercado profissional sem conseguir se fixar num lugar onde se sentisse valorizada. Aliás, a falta de valorização tomava conta da vida dela envolvendo relacionamentos íntimos e até amizades. Como ela estudava e tentava praticar meditação etc, não entendia porque sua vida não andava.

Vidas passadas mostrou uma vida em que ela era um rapaz, filho de um nobre que nunca ofereceu carinho, mas que lhe deu uma educação formal muito boa. Ele brigou com o pai e foi embora, pois se sentia deixado de lado. Queria que o pai soubesse que o que importava para ele era o amor e não o dinheiro. Naquela vida, não mais se encontraram e o assunto ficou pendente, sem perdão, sem harmonia.

Quando terminamos a sessão ela me disse: Maria Silvia, agora compreendo tudo, eu rompi com meu pai, com a prosperidade, com a fonte de poder que a figura do pai representa, por isso sempre acabo discutindo com o meu chefe e até desrespeitando meus namorados. Não entendo como nunca percebi isso antes, mas agora ficou claro para mim. Todas as vezes que um homem se aproximava da minha vida eu combatia, enfrentava e exigia que a pessoa mostrasse sua honestidade. Tudo o que fiz com o meu pai naquela vida passada.

Ouvindo aquela moça inteligente falar de si mesma, percebi que além de tudo o que ela comentou, estava guardado algo mais e perguntei:
- E o seu pai nesta vida, você se dá bem com ele?
Imagino que ela não estivesse preparada para uma resposta mais elaborada quando olhou para mim assustada e disse não.

Vi seus olhos se encherem de lágrimas desarmando sua postura intelectual. E foi nesse caminho que conversamos até o final da consulta, pois ficava claro que ela tinha que aprender a olhar o pai com os olhos da sua maturidade, pois para se defender de atitudes autoritárias que abalaram a sua infância, essa mulher havia construído uma barreira entre eles, dificultando qualquer abertura para uma cura e esse comportamento estava contaminando todas as outras áreas da sua vida, inclusive, afetiva e financeira, pois ela agia constantemente como uma criança, ora pedindo amparo, ora exigindo coisas. E apesar de ser bem evoluída espiritualmente, não conseguia se desprender dessa questão; com isso, estava em desarmonia com a força da Chama Trina e sua prosperidade ficava comprometida.

A energia do pai carnal está ligada ao poder pessoal. Quando uma pessoa não se sente amada ou aceita pelo pai, essa questão terá reverberações para o resto de sua vida. Por isso, é tão importante perdoar o pai, ou no mínimo entender que cada um dá o que tem, pois muitas vezes as pessoas se ressentem quando não recebem dos pais aquilo que idealizaram. Porém, cada pessoa carrega a sua história, seus aprendizados, seus desafios, desafetos e dores. Assim, dentro de um caminho espiritual, cedo ou tarde seremos convidados a libertar nossos pais e nos permitir seguir nossas vidas sem tantas cobranças e, naturalmente, quando conseguirmos abrir corpo, mente e espírito, não precisaremos mais ficar presos a culpas, mágoas e relacionamentos conflituosos. E a chama trina poderá brilhar cheia de força, luz e perdão. E com a vida assim aberta, receber a prosperidade será natural.