Permita-se ao amor

06/12/2011 20:38

 

Permita-se ao amor

por Bernardino Nilton Nascimento - bn.nascimento@uol.com.br



Uma vela acesa é como um grande amor, que tem o poder de iluminar uma escuridão a partir de uma pequena fagulha. O amor é capaz de contagiar o corpo e a alma, fazendo todos notarem a sua presença.

Não há amor sem a união, não há amor sem o mergulho para dentro de si. O amor é entrega, é doação. Quando não correspondido desmancha-se no ar, assim como a vela, que se apaga num pequeno sopro, mas pronta para ser acesa novamente.

O amor é o mais místico dos sentimentos. É um mistério que tem o poder de unir pessoas e confundir corações. Por mais que se tente fugir dele, somos sempre pegos de surpresa e, quando nos damos conta, estamos totalmente entregues. Trata-se da grande razão de viver e do caminho para a evolução do ser humano.

Quando o amor acontece, cria-se um mundo que vai da multiplicidade à unidade, num processo onde todos se tornam um. Todos nós temos a necessidade da mais alta realização da vida. O nosso viver está na descoberta de que temos um mundo interior e que dele brota o amor, a cura e também as tempestades. 

Um sentimento absoluto, que nos possibilita revelações, que faz com que enxerguemos as nossas limitações e as nossas ilimitadas reações. Um sentimento, por vezes, sem princípios, simples e complexo, que quase sempre justifica atos insanos em nome do outro, em nome da humanidade, em nome da vida.

O amor assume uma natureza humana, familiar a todos, por que nada do que é humano nos pode ser indiferente. Um "eu te amo", quando sincero, torna-se a frase mais marcante da nossa vida. Na descoberta, ou redescoberta do amor, enxerga-se o prazer da vida. A nossa vida dá ao tempo a possibilidade de uma parada para que possamos refletir, e essa reflexão pode nos trazer uma certa insegurança. Porém, vivendo no amor, somos capazes de superar todos os nossos medos, pois estamos deixando de alimentá-los. Viver com amor significa aceitar a missão de combater o sofrimento. 

Quem ama, descobre-se. Quando nos pensamos fortes, nos descobrimos fracos, e quando nos julgamos fracos, nos percebemos como leões. Com o amor, nossas colinas são aparadas, todas as pedreiras se transformam em vales e todos os vales, paraísos, e o pecado se torna contemplação. 

A conexão íntima entre duas pessoas que se amam forma um grande mistério, que procura e vislumbra uma existência afetivamente mágica. Só o amor é o motivo da criação; só ele é o motivo da vocação da criatura para a adoção; só ele é motivo da misericórdia ilimitada que faz superar todas as barreiras impostas pelo dia a dia. 

O mundo do amor faz triunfar a fidelidade, faz descobrir a infidelidade e faz com que tudo se apresente como se uma necessidade objetiva se encontrasse na base de todos os mistérios. Sua repugnância instintiva para com tudo o que é contingente parece fazê-lo esquecer de que a raiz de nossa existência e de nossa elevação é constituída por contingência radical, apresentando, porém, mais solidez do que toda a necessidade.

O amor permite a liberdade de cada coração, sem o medo do amanhã e sem o sofrimento do ontem. É no presente que ele faz maravilhas, milagres e alegra o coração.

Procure saber se está amando. Procure saber se está sofrendo com o passado, iludindo-se com o futuro ou gozando o presente. 

BNN