QUESTÕES DO CORAÇÃO

30/03/2014 17:29
 
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Sarah Varcas, 28 de março de 2014


Olá, pessoal!

Gostaria que vocês soubessem como as coisas estão progredindo. No geral, a vida está boa, apesar dos desafios óbvios da recuperação de um ataque cardíaco e adaptação ao significado do “novo normal” para mim. O nível físico é onde eu mais sinto esses desafios, já que meus níveis de energia ainda estão baixos e, assim, qualquer atividade física é extremamente limitada neste momento… Indício de uma GRANDE lição de paciência!

OK, Universo!
CAPTEI A MENSAGEM!

Entretanto, na semana passada especialmente, observei, sem sombra de dúvida, que a felicidade andou invadindo sorrateiramente os meus dias, e meu coração certamente andou sorrindo para a vida em vez de se encolher diante dela…

Do meu ponto de vista atual, está me parecendo que as bênçãos desta sequência bizarra de eventos são maiores do que os inconvenientes, apesar da proporção que estes inconvenientes possam tomar às vezes (normalmente no meio da noite, quando não consigo dormir e minha pobre mente resolve percorrer “cenários apocalípticos” só para me manter ocupada!).

Meu despertar súbito para a presença do meu coração físico desencadeou um processo que só posso descrever como re-animador, isto é, o “coração” está retornando a certos aspectos de mim mesma, da minha vida e da minha experiência, onde ele andava ausente ou havia se afastado devido à falta de nutrição e carinho.

Agora existe um eco que percorre minha consciência, uma pulsação, que me faz lembrar que sem coração em todas as suas formas e disfarces, a vida se torna estéril e congelada. Eu sabia disto, claro – como todos nós sabemos – mas será que eu estava vivendo isto?

Será que eu estava ouvindo meu coração quando ele me dizia que minha mente estava me levando para a direção errada? Não. Bem… sim, mas então eu vinha com a resposta “sim, mas…” seguida por todas as razões pelas quais eu não poderia, de maneira nenhuma, fazer o que eu sabia que deveria. Ou “sim, vou fazer isso, mas ISTO e AQUILO precisam mudar primeiro.”

Nestes dias, parece-me que meu coração encontrou sua voz, ou talvez eu é que a esteja ouvindo muito mais claramente agora. Dirijo-me a ela quando preciso tomar uma decisão e percebo seus empurrões delicados na direção certa… mesmo (e especialmente) quando minha mente diz algo totalmente diferente, que geralmente soa terrivelmente óbvio e racional, mas que vem como uma voz áspera ecoando numa sala vazia, não como os tons suaves do meu coração pulsante e carinhoso, que fala na minha vida a cada respiração.

Durante a minha primeira noite no hospital, fiquei deitada na cama tentando perceber o coração dentro do meu peito. Eu podia ver sua atividade exibida como um script estranho no monitor cardíaco ao qual estava ligada, mas quando me voltava para ele, tudo o que eu podia sentir era uma tristeza profunda, como se ele estivesse chorando ali.

Compreendi, então, que nos meus 47 anos de vida eu lhe havia dedicado quase nenhuma atenção. Ele tinha pulsado durante todos os minutos, todas as horas de cada dia da minha vida, e eu apenas contava com ele, presumindo que continuaria a me oferecer seu apoio infalível independentemente de quanto eu ignorasse sua voz ou o endurecesse para lidar com os desafios do mundo exterior.

Sim, sempre segui uma boa dieta, vivi uma vida relativamente saudável, não fazia nada que pudesse colocar meu coração particularmente em risco de doenças físicas, mas muitas vezes deixei de ouvi-lo – ouvi-lo verdadeiramente – mesmo quando sabia que deveria. Ele era sempre relegado a um papel secundário, uma simples participação breve no drama da minha vida.

Ele ficava com a estranha parte do figurante, e até tinha uma ou duas frases para dizer de vez em quando, mas na maior parte do tempo era a minha cabeça que me dizia o que fazer, e o meu coração apenas continuava batendo, mantendo-me viva para enfrentar outro dia no qual eu praticamente o ignoraria novamente!

Inclusive, ficou cada vez mais claro para mim – enquanto estava deitada na escuridão de uma enfermaria de hospital imaginando que diabos aconteceria em seguida – que o coração que eu tinha compartilhado com tantas outras pessoas, na verdade eu havia afastado de mim mesma. Ainda fico me perguntando que tipo particular de martírio tal comportamento pode acarretar!

De qualquer forma, ao tentar entender o significado e a importância de tudo que aconteceu nestas últimas semanas, só consigo chegar a uma conclusão que me parece correta, do ponto de vista do coração – que meu coração precisa expandir (não fisicamente, é lógico, porque esta nunca é uma condição boa!), mas emocional e espiritualmente.

Preciso de mais coração na minha vida, o suficiente para acolher tudo dentro e fora dele; coração suficiente para saber que, por mais racionais que minha mente e ego possam ser, quando meu coração sente que algo é errado, é porque é errado; e qualquer que seja o resultado de seguir a Senda do Coração, eu posso abraçá-la e contê-la e seguir em frente com ela, mantendo-me intacta e íntegra, independentemente do que tenha que ser deixado para trás no processo.

Agora posso ouvir com muito mais clareza os tons diferentes do coração e da mente: as nuances de medo e maus pressentimentos por trás dos comentários da mente, e a força reconfortadora que o coração oferece junto com sua sabedoria.

Inclusive, estou plenamente consciente de que qualquer ideia de “proteger meu coração” parece totalmente errada e em desacordo com a verdade dele. Não há nada contra o que protegê-lo; nada que possa danificá-lo ou diminuí-lo. Qualquer medo que tive de abrir meu coração para certos aspectos da vida e da experiência foi completamente equivocado e nascido do ego, que precisa sentir-se no controle e ser o líder. E existe melhor forma de fazer isto que não seja através do medo?

Qualquer dano causado ao meu coração foi feito por mim, não por alguma coisa fora de mim. Isto eu vejo e sinto de maneira extremamente clara agora, daí a minha necessidade de “dizer” estas palavras em voz alta no meu momento de lucidez, para que, se esta clareza se desvanecer com o tempo, eu possa voltar à sua garantia de segurança e verdade através destas palavras. 

E por falar nisto, eu tenho recebido várias mensagens de pessoas que estão preocupadas que eu possa ter sofrido este ataque cardíaco devido a interferências de forças externas mal intencionadas. Gostaria de oferecer minha garantia de que absolutamente nada do que vivenciei me faz sentir que algo interferiu comigo dessa maneira, a não ser eu mesma!

De fato, ao ouvir meu coração com mais respeito e amor, ele me diz muito claramente que não há nada a temer “lá fora”, pois “lá fora” é também “aqui dentro”; e que, quanto mais profundamente eu puder viver e respirar essa verdade, menos possibilidade haverá da dualidade de “vítima” e “agressor”, ou “eu” e “o outro”, assumir o controle da minha consciência. 

Ele me fala muito claramente sobre isto: Nós não somos parte do todo, nós somos o todo. Aceitando este fato, cada vez mais profundamente, eu posso começar a experimentar a paz do coração, que realmente não conhece nenhum medo.

Nem é preciso dizer que as perguntas “Por que eu?! O que fez com que isto acontecesse?” me assaltaram inúmeras vezes nas últimas semanas, como tenho certeza que aconteceu com muitas pessoas que viveram uma crise de saúde repentina como esta.

Ao refletir sobre essa exigência de uma lógica e ordem satisfatórias no universo, compreendo que o verdadeiro sentido não é para ser encontrado nos eventos em si, mas em suas consequências, no que eu estou fazendo com o que aconteceu na minha vida. Assim sendo, seu significado vai se manifestar com o tempo, à medida que as consequências desses acontecimentos se entremearem na tapeçaria da minha vida.

Para mim, é muito tentador procurar um “cabide” onde pendurar minha situação atual, de preferência um que me devolva o aparente controle que eu tinha sobre a minha vida, e que perdi num piscar de olhos. Mas isto seria simplesmente criar a conclusão prematura e falsa de um processo que está apenas começando.

Meu caminho neste momento é viver com o desconhecido, no que se refere às dúvidas sobre se isto vai acontecer comigo de novo, até que ponto vou conseguir me recuperar, e o que tudo isto significa para o meu futuro… incluindo também questões maiores sobre como isto muda minha compreensão e relacionamento com a própria vida.

Fui mergulhada num mistério profundo e estou encontrando cada vez mais paz no conhecimento de que perguntas não são necessárias quando se trata de questões do coração. Ele fala numa linguagem diferente, que a mente talvez jamais consiga entender.

Portanto, existem, sim, muitas bênçãos neste meu caminho novo e estranho. Sou grata por ter sido despertada para aspectos do meu próprio crescimento que eu estava negligenciando. Não sei o que acontecerá em seguida.

Nunca apreciei predições de eventos e não tenho a intenção de começar agora! A vida é um mistério e geralmente é melhor mantê-la assim, revelando-se para nós à medida que for preciso, e não definida de modo definitivo, sob a forma de acontecimentos que não podem ser evitados nem influenciados.

Sempre usei a astrologia para definir o cenário, não para escrever o roteiro; assim, sua importância torna-se mais profunda ainda para mim agora, enquanto aguardo com interesse novos começos e vozes diferentes que orientem meu caminho. Independente do que o futuro me reserve em termos de acontecimentos, uma coisa é certa: eu nunca amei tanto o meu coração como amo neste momento e isto só pode ser uma coisa boa sempre!

Muito amor para todos,

Sarah Varcas

Tradução de Vera Corrêa veracorrea46@ig.com.br
http://stelalecocq.blogspot.com/2014/03/questoes-do-coracao.html
http://astro-awakenings.co.uk/another-update-on-sarahs-condition
© Sarah Varcas. Todos os direitos reservados. É dada permissão para compartilhar livremente este artigo em sua totalidade, desde que seja dado todo crédito ao autor. E que seja citado o site onde este texto é oferecido gratuitamente: www.astro-awakenings.co.uk.
Grata Vera!


"Numa primeira instância, segue teu Coração.  
 Mentes podem ser convencidas, o Coração - não!"


(Tua Alma)

Texto do Livro: “Mensagens dos Mestres – De Coração a Coração” M. Stella Lecocq – Ed. Roka 
http://mensagensdosmestres.blogspot.com.br/

LUZ!