SÃO COISAS DA VIDA MEU RAPAZ!

24/05/2011 11:13

por Flávio Bastos - flaviolgb@terra.com.br

 

 

"Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las. Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas!"
(Mario Quintana)

Algumas expressões que ouvimos, repetidamente, costumamos guardar na memória. Principalmente, aquelas que dizem respeito a certas experiências que passamos durante o processo vital.

São frases, que tanto nos momentos de alegria e confraternização, quanto nos momentos de tristeza e consternação, encontram-se presentes, "vivas", expressando o sentimento individual e coletivo.

As "coisas da vida" são acontecimentos que experenciamos, mas que não damos a devida importância por considerá-los previsíveis ou "imprevisíveis" como são as fatalidades que fazem parte de nossa existência...

O que atribuímos às "coisas da vida", representa um conformismo em relação ao que não conhecemos ou em relação ao que conhecemos como hábitos rotineiros que podem ser nossos ou de outras pessoas.

A expressão "são coisas da vida" conforta, acomoda a situação em si, induz a compreensão superficial da experiência, mas não explica nem estimula a uma compreensão mais profunda dos acontecimentos da vida.

Nos bastidores de muitas expressões usuais entre nós, percebemos o medo, o conformismo e a aceitação em forma de visão materialista da vida, isto é, a vida passa e nos contentamos com o trivial sem irmos atrás de respostas que alarguem os nossos horizontes além da ótica das limitações sensoriais.

Não desafiamos o "improvável", o misterioso, o enigma. Preferimos atribuir os acontecimentos ao óbvio, à fatalidade ou às "coisas da vida" que vêm e que passam sem conhecermos as suas causas nem os seus efeitos sobre nós.

Na cultura materialista, a percepção do "ver para crer" aguarda que fenômenos ou milagres aconteçam para podermos questionar a existência sob um novo ponto de vista. Caso contrário, permanecemos céticos a acontecimentos que nos sensibilizam, mas que preferimos atribuir de uma forma simplória às "coisas da vida".

Muitas de nossas crises, de origem psicológica ou espiritual, estão associadas ao medo do desconhecido. Bloqueio que nos mantêm ligados à percepção materialista da vida, o que impede a expansão consciencial no seu sentido transcendente.

Ora! A transcendência é uma característica inerente à natureza humana. Por que, então, a inconsciente anulação deste extraordinário instrumento de evolução, se podemos usá-lo em nosso benefício e em benefício de outras pessoas, de forma consciente?

A transcendência, de "portas abertas", convida-nos a acessar o lado obscuro de nossa inconsciência, a fim de que o medo do desconhecido seja, gradualmente, revelado à luz do conhecimento...

O terceiro milênio abre as portas da mente humana para que o "porão" do inconsciente seja arejado e purificado pela energia dos novos tempos de transformações. Nesse alvorecer iluminado, o medo do desconhecido de si mesmo deixa de ser um empecilho no processo evolutivo para tornar-se uma necessidade de adaptação ao novo mundo.

À medida que expandimos a mente, as "coisas da vida" passam à dimensão do que elas realmente representam no contexto vital em comunhão com o universo, porque tudo está conectado, ligado interdimensionalmente, e nada explica-se de uma forma isolada ou confusa.

A fecundação, o desenvolvimento do feto, o nascimento, o desenvolvimento da criança, a juventude, a maturidade, a velhice e a morte, assim como os acontecimentos imprevisíveis entre essas fases, aos quais denominamos "fatalidade", infortúnio, sorte ou azar, revelam-se naturalmente à luz do conhecimento.

Basta, para isso, desafiarmos o medo do desconhecido para não repetirmos a vida inteira a expressão "São coisas da vida, meu rapaz!" O que evidencia o quanto limitamos a nossa capacidade de expansão sem percebermos que além dessas "coisas" existe um universo de possibilidades a ser desbravado pelo conhecimento.

Psicoterapeuta Interdimensional.

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